|
![]()
Uma advogada, outra jornalista. Uma mineira, outra carioca. Ambas balzaquianas, conheceram-se num blog. Poesia, culinária, política, bom humor e uma sede indescritível de auto-conhecimento são algumas das coisas que uniram as duas. Mas há muitas coisas que ainda não entendem. Elas acham que é porque são louras...
|
![]() Elas por Elas Samba-Canção Fabricio Carpinejar Epinion Maria sai da toca Mulherzinha Rastropop ![]() |
|
|
Sexta-feira, Novembro 12, 2004 ( 5:40 PM ) Lais Blogs e Orkut Sim, eu estou no Orkut, mas posso confessar: não morro de amor. Não tem um motivo exato, mas tenho a sensação de que é tudo muito organizadinho, tudo muito pensado por alguem que criou a ferramenta. Prefiro os blogs. São mais anárquicos, promovem debates super bacanas, democráticos e qualquer um pode entrar. Pode ser um certo preconceito, mas esse ar de festa Vip do Orkut não me seduz. Prefiro os botecos dessas esquinas. Por falar nisso, saudades. (De vc também, Quel) por Lais # ( 5:31 PM ) Lais Da série 'É assim que eu me sinto' More Than This I could feel at the time There was no way of knowing Fallen leaves in the night Who can say where they're blowing As free as the wind And hopefully learning Why the sea on the tide Has no way of turning More than this - there is nothing More than this - tell me one thing More than this - there is nothing It was fun for a while There was no way of knowing Like dream in the night Who can say where we're going No care in the world Maybe I'm learning Why the sea on the tide Has no way of turning More than this - there is nothing More than this - tell me one thing More than this - there is nothing por Lais # Sexta-feira, Agosto 27, 2004 ( 1:58 PM ) TIME
Há algum tempo atrás eu escrevi que a internet, às vezes, me dava medo. Pela rapidez e proporção exagerada que as coisas às vezes assumiam. Exatamente como ocorreu aqui no L&L nos últimos dias. Mas vamos por partes. Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar com aqueles que se sentiram ofendidos com o conteúdo e com o tom do post Regras de Convivência. A intenção foi apenas de deixar claras, de um modo firme, as regras do jogo. Isto porque o que aconteceu no EPE nos últimos meses me impressionou muito, principalmente o afastamento dos antigos comentaristas. Se passei da medida no post, desculpas pedidas. Quanto aos comentários, indiquei dois ou três para o nosso assessor de assuntos informáticos deletar, pelo conteúdo claramente ofensivo do seu conteúdo. Na execução da tarefa, outros foram apagados. Em relação aos indicados por mim, não há pelo que desculpar. Em relação aos outros, sim. Mais uma vez, desculpas pedidas (especialmente ao Clark - eu adorei sua poesia!). No entanto, Considerando o mau estar causado por estas questões, Considerando que o L&L foi concebido para ser apenas um espaço de diversão, Considerando o atual ambiente estranho do blog, Considerando que estou saindo amanhã para uns dias de férias (inclusive sem acesso disponível à internet), Considerando que minha sócia está viajando de lua-de-mel, O Linda & Loura entra em recesso por tempo indeterminado. Aproveitem a vida. Curtam o novo blog. E sejamos felizes! Beijos, Raquel # ( 12:04 PM ) Lais Caros Amigos Talvez sejam esses anos de ofício jornalístico dos dois lados do balcão que já tenham feito com que eu me acostume, um pouco, com essa história de dizer o que quer e ouvir o que não quer e vice-versa. Já tive a ira despertada por matérias que ofendiam meus assessorados e, é claro, já despertei a ira de algumas pessoas que se sentiram ofendidas com as minhas matérias. Como jornalista e ¿gauche na vida¿, é claro que eu não posso ser a favor de censura. E tenho certeza de que minha sócia não é também. O que ela quis dizer foi ¿Que bom que todo mundo escolheu a nossa casa, vamos tratar vocês com a melhor hospitalidade mineira e carioca, e esperamos que vocês também tragam para cá o melhor de cada um: respeito, educação e inteligência nos debates¿. Mas ainda me lembro, e lá se vão quase dez anos, quando a internet foi lançada no Brasil, que participei ativamente de um debate sobre o veto do primeiro provedor de internet brasileiro a um visitante nada educado que falava barbaridades preconceituosas e mal educadas num dos BBS (alguém se lembra destas listas de discussão?). Pois bem, o provedor era uma ONG e seu serviço era integrado a uma outra ONG mundial, a Associação Para o Progresso das Comunicações, que tinha regras expressas contra pessoas que, entre outras coisas, pregassem o preconceito e fossem desrespeitosos. Foi só isso que a Quel quis dizer, que este espaço é para ser alegre e produtivo e que ela se reserva o direito de bloquear o IP de alguém que, por ventura, em casos extremos, ofenda nossos visitantes ou as autoras de forma injustificada. Gente, é isso. E tá bom, né, vamos tratar de outros temas mais interessantes.. Beijos a todos Lais # ( 7:10 AM ) ESTÁ CHEGANDO A HORA!
Como minha amadíssima sócia já havia anunciado no post do dia 13.08.2004 Eu estou calma!, o seu casório é neste findi. A sociedade do anel se reunirá para celebrar um amor especial. Aquele tipo de sentimento raro, que dá gosto de ver realidade. Duas pessoas iluminadas, que se encaixam e, felizmente, se encontraram. Permitiram-se descobrir um ao outro. Escolheram construir uma bela relação. Colhem os frutos de tanto afeto, carinho e cuidado. Gostaria de dizer aos noivos que os vejo mais fortes, felizes e harmônicos juntos. Desejo que a singeleza da sua relação os acompanhe por toda a vida. Que um sempre se comova com o olhar, a pele e a alma do outro. Que estar junto signifique caminhar em direção ao próprio centro e os dois, lado ao lado, no rumo que escolherem. Que saibam partilhar a vida entre si e com as pessoas queridas que torcem incondicionalmente por sua felicidade. Para ver vocês dois celebrarem o seu amor, eu não viraria duas noites trabalhando como fiz. Viraria três ou quatro. Além disso, pegaria fácil um avião para o Rio numa manhã cedinho qualquer, curtiria a véspera do casório em um dia especial com minha sócia preferida e assistiria, perdida em meio aos convidados, a felicidade de vocês atingindo todos nós. É lógico que, depois da festa, já que estaria no Rio, aproveitaria para tirar uma semaninha de férias emendada com o feriado de 7 de setembro. É verdade que isto não seria pelos dois... Mas, afinal, não só os noivos têm direito a uma lua-de-mel maravilhosa! A gente também é filho de Deus, ora bolas... rs Por Raquel # Quinta-feira, Agosto 26, 2004 ( 11:22 AM ) Hoje acordei com saudade da Bahia. Com saudade de ajuntar amigos queridos em torno de uma boa mesa. Daí que vai rolar um jantar básico com cardápio especialmente importado de Salvador city. Alguém aí quer uma receita dobrada de BOBÓ DE CAMARÃO ?
Ingredientes: 4 kilos de camarão 3 kilos de mandioca cozida 1 vidro de azeite de dendê 1/2 xícara de óleo 12 dentes e alho grandes amassados 2 pimentões verdes e dois vermelhos picadinhos bem pequeno 4 cebolas grandes bem picadinhas 10 tomates bem maduros (sem pele e sem sementes) 2 vidros de leite de côco 2 limões grandes 1 molho de coentro Modo de fazer: Colocar o camarão para descongelar na água com limão. Tempere com sal e um molho de coentro. Aqueça o azeite de dendê e o óleo em uma panela funda e faça um refogado, adicionando os temperos na seguinte ordem mexendo sempre: Primeiro o alho, até quase dourar, depois os pimentões, deixando murchar, em seguidas as cebolas e, por último, os tomates. Refogue tudo por mais de 10 minutos. Enquanto isso, bata a mandioca no liquidificador com o leite de côco, até obter um creme. Deixar o creme mais encorpado para o bobó não ficar muito líqüido. Junte à panela do refogado o camarão, deixe cozinhar só por um minuto. Acrescente o creme de mandioca aos poucos, mexendo sem parar com a colher de pau. Prove o sal, acerte e sirva em seguida. Por Raquel # ( 9:37 AM ) REGRAS DE CONVIVÊNCIA
Vamos começar esclarecendo que nós a-do-ra-mos receber a galera do EPE no Linda & Loura. Termos sido escolhidas como espaço aconchegante foi realmente uma honra. Alguns comentários e pedidos de adoção foram especialmente emocionantes. Mas tem umas coisinhas que precisamos acertar sobre outros tipos de intervenção: 1) Não se admitem agressões gratuitas em relação aos demais comentaristas. 2) Não se admitem agressões gratuitas às blogueiras. 3) Não se admitem comentários implicantes de qualquer natureza, sendo proibido clima de guerrinha infantil-adolescente. 4) Não se admite o uso injustificado de palavrões ou de expressões de baixo nível, nem mesmo mau humor gratuito. Mau humor e palavrão aqui são privilégios das blogueiras, de acordo com o grau de ironia que o post pedir. Em outras palavras: Este boteco aqui tem dono. Aliás, donas. E nós duas não teremos o menor escrúpulo em exercer a autoridade que acharmos necessária. Quando, ao dar as boas vindas, eu disse que protegemos este espaço como leoas protegem suas crias, não estava brincando não. Se existe patrulha de comentários? Sim. Se vamos apagar os que considerarmos indevidos? Sim. Se vamos bloquear IPs e fazer o possível e o impossível para manter a paz neste lugar? Sim. Se vamos tirar o sistema de comentários se nada funcionar? Sim. Vale dizer: faremos TUDO para não acontecer no Linda e Loura o que ocorreu no Elas por Elas nos últimos tempos. E vocês sequer imaginam o que é tudo... Portanto, não se iludam. Não somos democráticas e legais como Isadora e Mariana. Este orfanato é administrado por duas balzaquianas chatas, mandonas, caretas e retrógradas. Só fica quem quiser. E quem nós quisermos. Para deixarmos claro: este é um post que dispensa comentários. Pedimos que cada um toque o barco pra frente sem encompridar um assunto chato que, confesso, nunca imaginei ter de discutir aqui. A intenção é preservarmos o L&L como um lugar íntimo e aconchegante. Exatamente o que faz a maioria das pessoas querer tirar os sapatos e, silenciosamente, andar pelos cantos. Bem. Agora que a sujeira já saiu de debaixo do tapete, fiquem à vontade. Civilizada, respeitosa e educadamente à vontade. Por Raquel # Quarta-feira, Agosto 25, 2004 ( 9:28 PM ) Lais Descoberta Esse espaço Sempre esteve vazio Mas nunca vago Porque ninguém viria Ninguém saberia Nem eu poderia Explicar o caminho Um cantinho Em silêncio Que pulsava Um lugar onde Só eu chegava Onde morava Sozinha Minha melancolia E esse olhar estranho Que eu disfarçava Esse desajuste Que eu negava Essa pessoa Que ninguém Conhecia Eu nem sabia Que essa porta Que você cruzou Existia Por Lais # ( 2:49 PM ) OLGA
Tenho evitado assistir dramas no cinema nos últimos tempos. No entanto, fui ver Olga no fim de semana. Tudo culpa de uma amiga que, em perfeito estado surto esquizofrênico, buzinou incontáveis vezes no meu ouvido que sou A CARA da Camila Morgado (?!?!?!?) e que, portanto, precisava ver o filme o mais rápido possível. Antes que o negócio virasse perseguição, resolvi conferir a interpretação que, segundo alguns, estava exagerada no filme que, segundo outros, também exagerara no tom. De 0 a 10, discordo 11 das críticas duras feitas a Olga. Talvez porque minha reação também tenha sido exagerada. Comecei a chorar na primeira cena, ainda nos primeiros minutos, e só parei mais de uma hora depois que saí do cinema... E vamos combinar que os momentos de romance não são nada tristes, mas, ao contrário, são de uma feliz delicadeza. A questão é que, para mim, o filme fala de algo que sempre me tocou: as escolhas que fazemos durante a vida. Quando optamos por algo, agimos com base nas nossas convicções e em uma apreciação pontual da realidade. Por vezes, depois que escolhemos, passamos a acreditar naquilo com uma força tão grande que ignoramos qualquer outro aspecto ou alternativa. Seguimos aquele caminho como se fosse o único e sem questionar outras possibilidades de felicidade. Como se apenas duvidar colocasse em cheque a própria essência. É quando corremos o risco de, realmente, morrer. Olga e Prestes tomaram decisões em determinados momentos, certos do seu sucesso. Em várias oportunidades, a realidade lhes mostrou o erro de alguns julgamentos. No entanto, eles se recusaram a duvidar e a desviar o rumo. Continuaram fiéis às convicções que não mais eram adequadas. No início, negaram-se a amar, depois a perceber a realidade política e social do Brasil da era Vargas e, por fim, recusaram-se a fugir enquanto ainda lhes seria possível. O argumento de que pessoas assim são aquelas que marcam a história e fazem diferença soa simplista e não convence. Fazem diferença aqueles que permanecem vivos, no próprio caminho. Trabalham em favor das suas convicções, lidando com o possível, de modo a ampliá-lo cada vez mais. Saí do filme com algumas idéias fixas: 1) não deixar uma escolha tornar-se algo definitivo e imutável; 2) nunca perder o discernimento lúcido diante de novos fatos; 3) caminho de vida é opção cotidiana, ou seja, deve ser validado diariamente; 4) recusar amar quando estamos diante de um sentimento puro é uma das maiores tolices que o ser humano pode cometer; 5) a arrogância de quem acredita conhecer a verdade e o absoluto pode ser fatal, mesmo que a crença se dê em valores nobres; 6) a humildade de se ver comum, humano e irrelevante é coisa para poucos grandes espíritos. Por Raquel # ( 11:09 AM ) Lais O Alex e a Daniela O Alex é jovem, ajudante de caminhão e mora no subúrbio do Rio. Outro dia ele achou meu talão de cheque ¿ completinho, 20 folhas, recém-saído da maquininha do banco. Por sorte, eu tinha acabado de anotar o celular de uma pessoa na capa. O Alex ligou para o número e no fim do dia eu tinha meu talão inteirinho de volta. A Daniela é jovem, tem um Peugeot zero e mora no melhor bairro da zona sul do Rio. Outro dia ela bateu no meu carro em plena manhã de segunda-feira. Por azar, eu tinha acabado de tirar o meu possante da concessionária. A Daniela saiu do carro gritando e dizendo que eu é que devia desviar dela (eu bem que tentei). Meu carro está batido até hoje. Pois é. (em tempo, Obrigada, Alex!) por Lais # Terça-feira, Agosto 24, 2004 ( 11:22 PM ) Orfanato
E qual não foi minha surpresa quando lendo os comentários do post sobre o Elas por Elas, dei de cara com os pedidos de adoção de alguns irmãos-órfãos! Não vou nem mencionar o pedido da própria Isa, porque este aí só pode ser gozação de madrinha... Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que, no L&L, todos os nossos leitores - os velhos e os novos - são sempre muito bem vindos. Mas não confundam isso com a possibilidade de substituirmos o espaço do EPE. O estilo alto astral, os posts freqüentes, os temas interessantes abordados por Mari e Isa são um tanto diferentes do estilo intimista do Linda e Loura. É verdade, pessoal. Postamos menos, quase nunca comentamos e, inúmeras vezes, o que escrevemos não é tão leve e interessante assim... O EPE sempre foi um lugar divertido capaz de atrair uma multidão. O L&L faz um estilo mais caseiro, amador, quase familiar, com tudo que é inerente a este modelo. Protegemos este espaço como leoas protegem as suas crias, mas não esperem muito de nós. Assim sendo, sintam-se à vontade e comportem-se direitinho. A gente se lê por aí... Por Raquel # ( 4:37 PM ) Histórias de Magistério Jurídico
No meio de uma explicação para uma platéia de leigos inconformados com determinado entendimento de um parecer jurídico, um professor de direito tenta contornar a situação: - Calma, gente. Eu entendo que advogado é mesmo chato. To-do-mundo-ODEIA-tu-do-quanto-é-advogado, né não? Um outro professor, que tinha acabado de entrar na sala e que pegou a história no meio, gritou ainda da porta: - Alto lá! As pessoas podem até odiar você, que é chato-como-o-quê. Mas ninguém me odeia não! Se bobear, tem gente que até me adora aqui... Intervalo imediato. Ninguém conseguia parar de rir. E nem foi porque todo mundo achava o professor que entrou um pé-no-saco... Por Raquel # Segunda-feira, Agosto 23, 2004 ( 1:11 PM ) Quem nos acompanha há algum tempo sabe que Isa e Mari são as madrinhas do Linda e Loura. Afinal, foi no EPE que eu e Laís nos conhecemos, comentando longamente os posts dos primórdios, há dois anos atrás. Foi no lançamento do livro Mulheres no Ataque que decidimos colocar o nosso blog no ar, batizando o L&L. Não vou nem mencionar a sociedade do anel, que justificou um aumento significativo do número de viagens Rio-BH... É fascinante perceber que, durante todo o tempo, o Elas por Elas foi um projeto que soube transcender o roteiro inicial imaginado por suas criadoras. E não me refiro aqui apenas ao sucesso indiscutível que Isadora e Mariana obtiveram no mundo virtual. Falo das relações de amizade e de amor que surgiram das conversas deliciosas que ocorriam nos comentários, das lições de tolerância com o diferente cotidianamente exercida, sem esquecer do surgimento de outros blogs confessadamente inspirados no EPE. Mas o mais fascinante é a sabedoria das nossas dindas em perceber o tempo. Raras são as pessoas sincronizadas com o momento de cada coisa. Isadora e Mariana têm essa virtude: tirar os olhos do próprio umbigo, perceber o andamento do mundo, dos desejos e de outras histórias. É quando surge outra grande qualidade sua: o desapego. As duas sabem o momento de abrir os dedos e de deixar escorrer, porque sentem quando as mãos devem estar livres para agarrar novos projetos. Lendo hoje o post final do Elas por Elas, pensei, mais uma vez: Quando crescer quero ser assim... Enquanto esse dia não chega, que ninguém me tire o direito de sentir a saudade enorme que já me turva os olhos enquanto digito: Obrigada por tudo, queridas madrinhas. Quando a saudade de postar apertar, o L&L estará sempre de template aberto. Não se esqueçam: Essa casa foi, é e será de vocês. Recebam agora nossa gratidão, nosso orgulho e nosso amor. Por Raquel # Domingo, Agosto 22, 2004 ( 10:36 PM ) Virgindade
Eu vi o mundo em seus olhos Masculinos, refletiram-me mulher Senti o mundo em seu toque Suave, perambulou a esperança Ouvi o eterno das palavras Sussurradas, calaram o meu medo. Nunca soube o que é isto E esta surpresa, que desconheço, soou natural Um milagre que não quero entender Mas descobrir. Já tinham me dito antes: Amar é algo que se aprende a dois Coisa do tempo brincando de Deus... Compreendi, enfim. Se há cheiro de precipício o desejo de pular acolhe Se o susto treme por dentro o coração, calmo, absorve Essa fome e esse sono Podem aguardar. Se velha é a espera Não cabe agora a pressa. Disponho ao cotidiano e à saudade. Para toda falta, tem a partilha Para o receio, a verdade E o arremedo de covardia abandono pela vontade De segurar o seu rosto E proteger-me em seu colo De respeitar os seus segredos E caminhar ao seu lado De arranhar o seu corpo E, sem pudor da nudez, acolher a sua alma. Desejo da primeira vez Deflorar o amor. Por Raquel # Sexta-feira, Agosto 20, 2004 ( 5:28 PM ) Frase do dia: É hoje que eu só chego amanhã... Por Raquel # Quinta-feira, Agosto 19, 2004 ( 4:13 PM ) Coisa boa na vida é ser Aventureiro
Não sei aonde esse barco vai me levando. Só sei que vou indo, às vezes partindo, às vezes chegando. Rumo a um porto escondido, ou a um peito perdido. Navego à deriva. Levo uma missiva ao cais da alegria. Devo encontrá-lo a qualquer hora, num cochilo da noite ou num descuido do dia. Enquanto isso, vou no balanço sem tempo certo, sem compromisso. Viajo inteira, sem horizonte e uma saudade como companheira. Quando ancorar, vou transcrever um poema: como viajar sem carta, sem bússola, sem saber ao certo onde é o lugar. Tenho a imensidão como tema. (Flora Figueiredo) Por Raquel # Quarta-feira, Agosto 18, 2004 ( 3:05 PM ) Blogs e Ficção
Uma das diversões favoritas nas preguiçosas manhãs de domingo (meio dia no domingo ainda é manhã, certo?) é dar um passeio por blogs de que gosto. Alguns de pessoas que já se tornaram amigas. Outros de seres que nem sabem da minha existência. Independentemente do perfil blogueiro de cada um, admiro os diversos estilos e, quando possível, me mantenho fiel a esta rotina. Ano passado dei de cara com um post do Paulo Polzonoff que escreveu algumas coisas que penso há tempos sobre o mundo dos blogs. Em primeiro lugar, acho estranho as pessoas que levam o que se escreve neste espaço ao pé da letra. Para falar a verdade, inúmeras vezes o que estou postando não tem qualquer relação com o momento atual da vida. E não é só porque vivo postando coisas que já escrevi há algum tempo e que estavam apenas guardadas no meu computador. Mas é porque é impossível não aproveitar este espaço para ficção. É verdade, pessoal. Preciso comunicar para quem ainda não sabe. Em blog se inventa. Aliás, uma das maiores vantagens é exatamente esta. Não dá para desperdiçar a completa ausência de comprometimento literário ou jornalístico inerente a este formato. Não dá para ignorar que não estamos fazendo das mentes alheias penico, porque só entra aqui quem livremente deseja perder o seu precioso tempo conosco. Não dá para deixar de colocar para fora uma porção escritor-de-araque-frustrado-que-não-tem-mais-jeito, economizando algumas centenas de reais com psicanálise. A liberdade de ser amador, leigo, não ter revisão, nem qualquer responsabilidade profissional com o que criamos é MARAVILHOSA! Nesse contexto, não levem os posts excessivamente a sério. Não acho que uma pseudo-quase-literatura nestes termos significa manipulação condenável das palavras. Desde que se saiba que a criação literária é exatamente isto - criação literária - não há nada de errado no processo. E não adianta dizerem que escrever este tipo de coisa aqui pode tirar o impacto dos próximos textos. Em primeiro lugar, prefiro receber este tipo de observação do que perder parte do dia explicando que, apesar de ter postado poesias deprês, passei o dia feliz com minhas afilhadas em meio a fraldas e arrotos, levei meu sobrinho ao cinema para ver a estréia de um filme qualquer, viajei para minha cidade natal, dei uma aula deliciosa, tive a porção fútil da semana no cabeleireiro, me acabei de dançar até de manhã em uma boate, formatura ou casamento de arromba. Além disso, não é o fato dos posts serem também ficção que vai retirar deles a força. Todo mundo está careca de saber que filmes no cinema e novelas da oito são de mentira e mesmo assim choramos em cenas dramáticas, morremos de medo nas cenas de suspense e por aí vai... Por fim, nenhuma ficção consegue se divorciar completamente da realidade, o que nos leva à conclusão de que nossas invencionices são, no fundo, grandes verdades. Podem não ser pessoais em alguns casos. Podem não ser atuais em outros. Mas são certamente realidades provisórias aplicáveis a alguém neste mundo. Por Raquel # Terça-feira, Agosto 17, 2004 ( 5:20 PM ) Entre o céu e o inferno
Um dos funcionários da empresa era de uma igreja que condenava qualquer forma de mentira ou desvio das normas. Matriculou-se em um curso de atualização. Lá descobriu qual jeito de exercer suas atividades era considerado teoricamente correto. Acreditou. Um mês depois, o setor em que trabalhava estava praticamente parado. Nada tinha andamento. Tudo era contra as normas. Recebeu aviso prévio semana passada. O dia em que conheceu o purgatório. Sexta-feira 13. Por Raquel # Domingo, Agosto 15, 2004 ( 5:06 PM ) Lais Fotograma Tenho sentido o nada como nunca antes e gosto dessa sensação de suspensão de não ser e ser mas sem ter que ser assim do jeito que eu esperaria de mim que já fui tão desassossegada hoje canto e respiro a passadas me distraio e não espero não antecipo e não quero se amanhã o dia vier que venha não tenho a senha do futuro mas também não temo o escuro naturalmente desvio do muro engatinho como quando era criança e nem sabia que existia algum tipo de esperança de crença de anseio de medo mas já havia eu já havia mundo já havia dança. por Lais # Sexta-feira, Agosto 13, 2004 ( 4:07 PM ) Lais Eu estou calma! Então eu vou casar em duas semanas e de todas as coisas que me disseram a respeito só duas são verdade. A primeira é que no fim tudo dá certo (ok, o casamento ainda nao chegou, mas eu acredito nisso piamente hahaha). A segunda é que perto do casamento vc fica ainda mais apaixonada e feliz da vida (essa foi minha sócia que me contou..). De resto, como eu já desconfiava, nada se confirmou: eu não emagreci 20 kilos porque "imagina vc tem tanta coisa pra fazer que nem lembra de comer " - hahaha!- e, principalmente, NAO, eu NAO estou nervosa. Sim, porque 101 em cada 100 pessoas que esbarram comigo fazem a mesma pergunta: E aí, nervosa? Eu já pensei em fingir, dizer que estou à beira de um ataque de nervos, que nem durmo de noite. Mas a questão é que não consigo. Eu estou calma! Pelo menos por enquanto.. rsrs por Lais # Quinta-feira, Agosto 12, 2004 ( 8:03 PM ) De grátes...
A dupla cinema-pizza no sábado à noite é deliciosa e simplinha. Se o programa acaba cedo, a gente tem a chance de encontrar na TV uma entrevista bem humorada no programa do Serginho Groissman com a Ivete Sangalo. Meses atrás, me acabei de rir quando ela confessou ser tarada por brindes: - Tem coisa no mundo melhor do que caneta, agenda e boné que a gente ganha de graça? Não importa o que seja, é massa porque você não tá pagando. Quer ver uma coisa? Eu comprei um apartamento de milhares de reais. O lugar é o bicho! E o antigo dono deixou um quadro na parede. Adivinha do que eu gostei mais? Do apto, que foi uma ótima compra, ou do quadro que, aliás, é horroroso? Do quadro, é ló-gi-co! Quando o Serginho perguntou se, por ser artista, ela ganha muitas cortesias, a cantora respondeu: - Cara! Você não imagina o tanto! A gente chega aquela barreira no restaurante. Come, bebe e, quando pede a conta, vem o maitre e diz que é por conta da casa. Eu, na mesma hora, digo: Não, não e não, meu senhor. Vou ficar constrangida se não pagar a conta. O rapaz insiste mais um pouco e eu, educada, cedo (rs). Agora bom mesmo é quando a gente volta no mesmo lugar e a história se repete... Não terminei de assistir a entrevista porque, naquele dia, a luz do prédio foi embora. Foi isto que me impediu de concordar quando ela disse que mamão tem cheiro de cocô de neném. Mesmo assim nunca mais comi mamão no café da manhã. Nem sendo brinde... Por Raquel # Quarta-feira, Agosto 11, 2004 ( 7:15 PM ) ETs
Às vezes me pergunto que mania estranha é esta de, sempre, encarar as próprias verdades e mentiras. E pior: de conseguir falar sobre elas, por piores que sejam, com uma tranqüilidade surreal. Tem gente que perdeu a aula em que ensinaram que certas coisas é melhor não saber. Tomou bomba na matéria como fingir que não sabe algo que você já descobriu. Não freqüentou a escola mantenha-se calado quando a ferida é grande. Só uma coisa me consola (ou atormenta): ninguém sofre mais do que o próprio ser. Vai entender... Por Raquel # Terça-feira, Agosto 10, 2004 ( 10:32 PM ) Mais Histórias de Magistério
Um consultor assume uma das matérias da especialização de profissionais de determinada área. Analisando um dos aspectos controversos, indica, tecnicamente, os pontos equivocados de certa orientação. Identifica o autor da idéia e destrói, um a um, todos os argumentos existentes em sua defesa. Tudo com aquele ar crítico típico de quando se está com a razão diante de um dos maiores experts no assunto. No dia seguinte, um dos alunos o procura no final da aula: - Professor, o senhor nunca olhou a lista de chamada, certo? - Certo. - Pois é. O filho do fulano-de-tal (o bam-bam-bam destruído no dia anterior) é da turma. O pai dele é nosso professor do módulo 2. E foi ele quem indicou o senhor para o primeiro módulo. Passou o resto do ano citando e elogiando as posições do outro professor. Aprovou o filho com 10. So late. Nunca mais foi chamado nem para substituição de licença-maternidade. Coincidência e azar, aquelas coisas que não existem, comentei com vocês semana passada... Por Raquel # ( 12:37 PM ) Suda*
Há dois anos atrás, duas tias queridas faleceram em um intervalo de tempo pequeno. Quando mudei do interior para a capital, suas casas, que ficavam no mesmo quarteirão em que morei, tornaram-se ponto de apoio afetivo. Engraçado que elas não eram irmãs da minha mãe, mas primas. Numa família enorme, de primos incontáveis (no sentido literal de incontáveis), um laço próximo não seria exatamente necessário. Mas foi. Hoje, tanto tempo depois que as duas morreram, surgiu uma saudade absurda. Sonhei com uma delas boa parte da noite. Acordei com o peito apertado. Eu precisava ouvir sua voz doce, comer um pedaço do enrolado de presunto (que nunca aprendi a fazer) ou apenas esperar que ela terminasse de rezar o terço. Acho que, na verdade, gostaria de ficar assentada no sofá da sala, vendo-a ouvir e falar com uma das dezenas de pessoas que iam lá todo dia. Sabem o que é? Às vezes, a pureza, a meiguice e a bondade em essência fazem falta... Ainda não me acostumei com o fato de não mais ouvir o telefone tocar no meio da semana e minha outra Tia dizer: Oi, Raqueel! Está tudo bem, filha? Se eu respondia que estava trabalhando muito, ela retrucava: Olha, não faça isso não. Pare um minutinho e venha comer um bacalhau (feijoada, lasanha, strogonoff ou qualquer bomba calórica do gênero) aqui em casa hoje... E tem salada pra você! Eu raramente conseguia dizer não. E, quando dizia, passava no finalzinho da tarde, nem que fossem dez minutos, para dar um beijo. Conversava um pouco e era como se, num passe de mágica, as coisas entrassem no lugar. Tantas coisas boas têm acontecido que as deixariam tão felizes! E as coisas difíceis certamente ficariam mais fáceis se eu pudesse dar uma passadinha para um aconchego. Um aconchego nada ruidoso, nada estabanado, nada complexo. Apenas um estar. Como deve ser um bom colo. Acho que é isto. Estou com saudade do colo de anjos... Uma suda* que dói fisicamente. Deixa o rosto molhado. O coração apertado. Mas a alma... Bem. Ela continua plena do amor vivido. Talvez seja este o sentimento que faça continuar. Feliz. Exatamente como elas foram. * Suda: abreviação de saudade que, na minha família, usamos para designar momentos de saudade intensa. Por Raquel # Segunda-feira, Agosto 09, 2004 ( 6:18 PM ) Objetivo
Encontrei no prefácio do livro Do Amor, de Stendhal: A vida laboriosa, ativa, muito estimável, muito positiva de um conselheiro de Estado, de um fabricante de tecidos de algodão ou de um banqueiro muito esperto para os empréstimos é recompensada por milhões, e não por sensações de ternura. Aos poucos o coração desses cavalheiros ossifica-se; o positivo e o útil são tudo para eles, e sua alma fecha-se ao sentimento que tem maior necessidade de tempo e torna mais incapaz de qualquer ocupação razoável e contínua. Todo este prefácio foi feito apenas para anunciar que este livro tem a infelicidade de só poder ser compreendido por pessoas que encontraram tempo para fazer loucuras. Talvez seja a pretensão do L&L: tempo, ternura e loucura. Estou errada, sócia? Por Raquel # ( 7:13 AM ) Antes da estréia
É a hora do pânico. Aqueles momentos que antecedem o início de um projeto importante. Pode até não ser lá grandes coisas pra quem vê de fora. Mas para quem está lá no meio é coisa enorme, sim senhor. Do tipo significativo. E de qualidade amedrontador. São os segundos de pior dúvida e maldição: Como eu vim parar aqui? Onde é que eu estava com a cabeça? Devo ter comido cocô para me meter nessa... Se eu desmaiar, será que vão chamar a ambulância? É verdade que são apenas flashs. No instante seguinte, você incorpora o personagem, prega a cara de confiante no rosto apavorado e vai. E 10 minutos depois é como se você tivesse nascido apenas para estar ali, fazendo aquilo, naquele minuto. Show time! Por Raquel # Sexta-feira, Agosto 06, 2004 ( 10:23 PM ) Histórias de Magistério
Curso de uma semana em Belo Horizonte. Lá pela quarta aula, quando palestrantes e turma já tinham intimidade suficiente, um professor tenta explicar algo que o outro não conseguiu. Constrói a seguinte hipótese, tentando ser engraçado: - Vamos imaginar que vocês estão trabalhando com interessados mineiros. Aí surge um daqueles exigentes-chatinhos... (detalhe para o veneno na expressão chatinhos cujo tom já dispensava maiores explicações) O palestrante se anima com os risinhos em resposta ao comentário e completa: - Chatinho, assim... pelinha. Do tipo Paulista, sabe gente? Um aluno levanta e vai embora. Era conhecido por ser o mais chato da empresa. E era paulista. Depois falam que coincidência e azar não existem... Por Raquel # Quinta-feira, Agosto 05, 2004 ( 12:43 PM ) Intimidade
Não há nada mais estranho e melindroso do que a relação entre pessoas que só se conhecem de vista - que se encontram e se observam diariamente, ou mesmo a toda hora, sem um cumprimento, sem uma palavra, forçadas a manter uma aparente indiferença de desconhecidos, por imposição dos costumes, ou por capricho pessoal. Há entre elas inquietação e curiosidade exacerbada, a histeria de uma necessidade insatisfeita, artificialmente reprimida, de travar conhecimento e comunicar-se, e também, sobretudo, uma espécie de respeito carregado de tensão. Pois o ser humano ama e respeita seu semelhante enquanto não tem condições de julgá-lo, e o desejo é produto de um conhecimento imperfeito. (Morte em Veneza, novela de Thomas Mann) Inicialmente este texto me lembrou de situações específicas de falta de intimidade entre pessoas que se vêem na contingência de conviver, o que provoca reações curiosas. Constrangimentos de elevador são típicos. Você entra e não conhece o freguês que está lá dentro. Alternativa 1: você desvia o olhar e fica mirando o teto ou o chão. Alternativa 2: você comenta sobre o frio ou sobre o calor ou sobre qualquer outra coisa idiota. Alternativa 3: você dá as costas para quem está lá dentro e finge que está só. Coisa diferente acontece quando se está com alguém com quem é possível sentir-se à vontade. Nesta situação, o silêncio é cúmplice e nada desconfortável. A histeria, a inquietação e a aparente indiferença desaparecem. Não há tensão, pois a comunicação é prévia a qualquer ação. Mas o que incomodou mesmo na transcrição foi a frase final: Pois o ser humano ama e respeita seu semelhante enquanto não tem condições de julgá-lo, e o desejo é produto de um conhecimento imperfeito. Sei não, Mann... Se o encantamento inicial de qualquer relação só persiste enquanto temos um conhecimento incompleto do outro, enquanto nos relacionamos com a imagem idealizada que acreditamos ser o alvo de nosso desejo, não acredito que isto possa ser chamado de amor. Só dá para amar e respeitar aquilo que conhecemos. É só com uma situação e com um ser não idealizado que podemos desejar dividir uma parte ou outra de nós mesmos. Para amar, é preciso pegar a caveira do outro no colo, sentir o seu odor fétido, cuidar dela, limpá-la, para finalmente travar uma relação adulta. Chegar neste ponto dá trabalho. Mas é para este lugar que o homem deseja ir. E nunca é tarde para pegar a estrada. A gente se vê no caminho. Por Raquel # Quarta-feira, Agosto 04, 2004 ( 9:07 PM ) VAGABUNDAGEM
Há uns dois anos, o livro daquele moço italiano sobre o ócio criativo estava na crista da onda. Eu achava picaretagem. Mas falar mal do livro sem conhecimento de causa era sacanagem. Acabei lendo, depois que ganhei de presente, com muita má-vontade. No final, continuei achando picaretagem, seu Domenico que me desculpe. Pois não é que descobri hoje, olhando para os posts do blog e para os textos de trabalho, que o Domenico di Masi está coberto razão? Tudo de que mais gosto foi produzido em momentos de completo nada-pra-fazer. Quanto mais trabalho, menos criatividade e menos as coisas que prestam... Foi quando concluí: nascemos para vagabundear! Esse negócio de ganhar a vida e de organizar o mundo não é coisa de se gastar o tempo não. Eu sei que tem gente que quer exatamente isto da própria existência. Cada qual com seu cada qual... Cá de mim, prefiro ficar por aí só pensando e escrevendo. E já que é assim, está oficialmente publicado o edital para selecionar interessados em administrar a vida alheia. Inscrições na secretaria do blog. Por Raquel # Terça-feira, Agosto 03, 2004 ( 6:03 PM ) Politicamente correto
Outro dia, me dei conta de que, em alguns meios, o politicamente correto é pecado capital. Ser piegas, honrado, óbvio e ainda manter a capacidade de indignação diante de determinadas coisas básicas soa como ofensa imperdoável. Algo como você se enquadrou na vida medíocre e nos valores pré-fabricados que o ensinaram, ó ser automatizado-não-pensante! Atribui-se certo charme a uma visão crítica e arrogante, capaz de ver algo a ser reparado em tudo ao redor. Como se a não-conformidade significasse sempre originalidade e inteligência peculiares. Foi quando entendi que intelectualismo demais e simplicidade de menos pode ser uma merda. Porque acabamos perdendo o essencial que, lógico, é sempre o mais simples possível. Presos numa teia de conceitos externos, teorias complexas e densidades vazias esquecemos o próprio centro, porque perdida a oportunidade de fazer escolhas sinceras e verdadeiras. Pensei em como tem sorte aquele que tem raízes que não lhe permitem esquecer o óbvio. Aquele que não precisou de qualquer esforço para saber: - que honestidade é algo que faz bem ao mundo e a si mesmo, devendo-se afastar o discurso sobre ela, sob pena de hipocrisia; - que doação é algo que pode sim ser gratuito, devendo-se evitar a propaganda sobre ela, sob pena de se transformar pureza em chantagem e moeda de troca; - que emoção é algo que sempre vale a pena sentir, devendo-se esquecer os jogos aprendidos depois de muitas dores, sob pena de perder a fé em si e na vida; - que proteção é algo que o ser humano maduro conquista, sem confundi-la com a covardia de evitar a vida e o destino desejado; - que esperança é algo que faz parte da nossa essência, sem confundi-la com ingenuidade ou justificativa para omissões irresponsáveis; - que amor incondicional é algo que todos merecemos, sem confundi-lo com retirar-se do centro da própria vida ou usurpar o centro da vida alheia. Mais politicamente correto, impossível. Amém. Por Raquel # Segunda-feira, Agosto 02, 2004 ( 11:34 AM ) O Ministério Louro da Saúde adverte: Assistir Garfield pode ser fatal à saúde. Se você não vai à ginástica há mais de um mês, Se, nos dias seguintes ao filme, você procura en-lou-que-ci-do a sua melhor receita de Lasanha de Camarão, Se ainda por cima você encontra um pote de Nutella no armário da cozinha... Prepare-se para rolar escada abaixo. Mas se dê o direito de espalhar parte da sua desgraça por aí: Lasanha de Camarão
Ingredientes: 1 kilo de camarão descascado 500 gramas de massa fresca de lasanha (do tipo pré-pronta) 2 copos de requeijão (eu uso light...) 2 latas de molho de tomate tradicional 1 lata de creme de leite (tb light, ló-gi-co) 1/2 copo de leite (desnatado... rs) orégano, sal, pimenta, alho, cebola, salsinha e cebolinha (a gosto) 2 colheres de manteiga 1 colher de café de molho de pimenta Alecrim 1/4 de pimentão 400 gramas de queijo prato fatiado Modo de fazer: Refogue o alho e a cebola na manteiga. Acrescente os camarões e frite um pouco. Acrescente os temperos (orégano, sal, pimenta, alho, cebola, pimentão, molho de pimenta, alecrim, salsinha e cebolinha), juntando também as duas latas de molho de tomate. Deixe o camarão cozinhar e, se necessário, acrescente um pouco de água para completar o cozimento. Reserve. Prepare um molho com o creme de leite, requeijão e leite. É só misturar tudo num vasilhame e reservar. Em um pirex, monte a lasanha, observando a seguinte ordem nas camadas: - molho de camarão (capriche bem na primeira camada de molho, para a massa não grudar no fundo do pirex); - uma camada de massa de lasanha; - molho feito com o requeijão; - uma camada com queijo prato. Repita a operação até terminar com os ingredientes. Deixe sempre um pouco de molho de requeijão para colocar por cima e cubra, por fim, com queijo prato. Leve ao forno para assar e sirva quente. Aqui em casa, não teve acompanhamento nenhum. Aliás, na melhor linha Garfield. Ah! como eu amo as segundas-feiras... rs Por Raquel # Domingo, Agosto 01, 2004 ( 9:32 AM ) Inquietações de domingo
Acordei pensando na arte, na vida, na criação, na rotina, na poesia e nos seus conflitos: Ouça, conheço um banqueiro, um homem de negócios já grisalho, que tem o dom de escrever romances. Ele utiliza esse dom nas horas vagas, e suas obras são por vezes excelentes. Apesar, eu digo 'apesar', dessa sublime vocação, esse homem não é de todo irrepreensível: pelo contrário, teve de cumprir uma longa pena e por motivos justos. Sim, na verdade foi só na prisão que tomou consciência de seu dom, e suas experiências como prisioneiro configuram o tema básico de todas as suas obras. Com certa ousadia, seria possível concluir daí que para ser poeta é preciso estar em algum tipo de prisão. Mas acaso não se impõe a suspeita de que as vivências desse homem na prisão possam estar menos intimamente associadas às raízes e às causas de seu talento artístico do que aquilo que o levou à cadeia? Um banqueiro que escreve romances é uma raridade, não é? Mas um sólido e impecável banqueiro que jamais cometeu crime algum e escreve romances, isso não existe... Você ri, e, no entanto, o que digo é meio brincadeira e meio sério. Nenhum problema, nada no mundo é mais torturante do que o talento artístico e seus efeitos humanos. (Thomas Mann, em sua novela Tonio Kröger) Alguma ajuda? Por Raquel # Sexta-feira, Julho 30, 2004 ( 12:51 AM ) Não leia o post quem não assistiu o filme Homem Aranha 2. Depois não digam que eu não avisei! O dia em que me apaixonei pelo Spider-Man
Não sei quanto a vocês, mas sempre preferi o Peter e o Clark. Não é que tenha problema com super-heróis. Achava um barato o super-homem voar, o homem-aranha escalar, mas é que esse pedaço era um tanto assim ... irreal, sabe? O Clark Kent trapalhão, o Peter Paker azarado, estes sim eram adoráveis. Porque davam a sensação de que poderia encontrá-los ali na esquina. Cada trupicada, cada ferro injusto que levavam no trabalho, tudo era motivo para um suspiro infantil. E os olhares de peixe-morto dos dois então... Hoje, assisti no cinema Homem Aranha 2. Meu Deus! Quanta terapia esta meninada de hoje vai economizar. Porque a minha geração passou anos e anos, dia após dia, vendo o Clark e o Peter sozinhos porque eram super-heróis. Agora, no Homem Aranha DOIS os meninos já dão de cara com o Peter arrumando um jeito de não abrir mão de quem é (um super-herói) e de também viver o seu amor pela M.J. Foi exatamente este o momento em que me apaixonei. Quando enxerguei o Peter no homem-aranha. Ou melhor, quando consegui entender que o homem-aranha sempre foi, também, o Peter Paker e, agora, não havia mais duas vidas separadas. Ver um homem inteiro e integrado é das coisas mais sedutoras do universo. E pode não ser fácil confessar, mas, lá no fundo, toda mulher é um pouco Mary Jane. É verdade que a maturidade nos faz dispensar a expectativa de super-poderes. Apaixona-se é pelo homem integrado, o que, talvez, seja mesmo coisa de super-herói. Por Raquel # Quinta-feira, Julho 29, 2004 ( 9:58 AM ) Alinhavos
Coisa boa é acordar amarelo-ouro mesclado de laranja e verde-bandeira. Saudade boa que toca. O coração e a porta. Deixa um sorriso no rosto e uma palavra na tela. Adoro uma adivinhação. Adoro poesia. Adoro Flora Figueiredo: Caixa de costura
Venho costurando minha vida com linhas de saudade. Procuro equilibrar-lhes a cor para que o resultado final não seja triste. Por vezes, é o cinza que insiste; por vezes, impera o marrom. Ainda bem que tem saudade bonita; muda o tom, amarro fitas, busco a outra ponta do novelo; intercalo a trama em amarelo. A saudade é assim mesmo, Tecelã do tempo. Quando menos se espera, arremata o momento, leva embora, deixa a porta encostada, o cadarso de fora, e nunca avisa a hora de voltar. Ainda hei de costurar com verde florescente e, se a saudade chegar autoritariamente, vai se sentir enfraquecida. Enquanto procuro a cor, vou costurando a vida, sem saber qual vai ser o resultado. Caso ele não fique combinado, dou um nó, encosto a agulha, guardo a linha, que essa culpa roxa não é minha. É uma artimanha branca do passado. Por Raquel # Quarta-feira, Julho 28, 2004 ( 12:27 AM ) Bomba e Castigo
Os garotos, com 08 e 09 anos, brigavam como cão e rato. Mas não podia alguém mexer com um que o outro já saía em sua defesa, dando sopapos para todo lado, se fosse necessário. Tudo dentro do previsto. Afinal, eram irmãos. Chega o final do ano e o mais velho é reprovado na escola. O fato tem o efeito de uma bomba atômica na família. O pai, inflexível, sentencia: - 50 dias de castigo, sem sair do quarto. Desta vez, não tem avô, mãe, avó, tia, madrinha, NINGUÉM livra você desta, moleque. Lá pelo vigésimo dia de castigo, com o reprovado à beira da loucura, o irmão resolve intervir. Passam o dia inteiro presos no quarto, com papel e lápis na mão. Os pais, preocupados com tantas confabulações, checam de vez em quando e tudo que vêem são os dois escrevendo, riscando, passando a limpo algo que não dá para descobrir o que é. No início da noite, recebem a seguinte petição (os nomes são fictícios): Exmo. Sr. Juiz da Comarca do Castigo. JOSÉ DA SILVA SAURO, brasileiro e residente nesta casa, vem, por seu advogado e irmão, JOÃO DA SILVA SAURO, dizer que sabe que não devia ter tomado bomba na escola. Mas pede que o senhor Juiz considere que ele cumpriu direitinho o castigo até hoje. Promete comportar e estudar muito no próximo ano para passar antes da última prova. Isto posto, requer o fim do castigo, para aproveitar o resto das férias com os primos e a família. Interior de Minas, ... de janeiro de 2.004. JOÃO DA SILVA SAURO* Advogado Pedido julgado procedente. Por Raquel # Terça-feira, Julho 27, 2004 ( 12:50 PM ) Poema do dia
Não quero rosas, desde que haja rosas. Quero-as só quando não as possa haver. Que hei-de fazer das coisas Que qualquer mão pode colher? Não quero a noite senão quando a aurora A fez em ouro e azul se diluir. O que a minha alma ignora É isso que quero possuir. Para quê?... Se o soubesse, não faria Versos para dizer que inda o não sei. Tenho a alma pobre e fria... Ah, com que esmola a aquecerei?... Não fui eu quem disse. Foi o Pessoa. Sempre o Fernando... Por Raquel # Segunda-feira, Julho 26, 2004 ( 8:38 AM ) Já que hoje é Dia da Avó... Bem Viver
Minha avó materna beira os 100 anos. Tem uma presença absolutamente lúcida, embora não seja capaz de reter em sua memória qualquer fato recente. A oportunidade de convivência com esta situação tem sido uma lição incrível. Para ela, existem as lembranças do passado anterior às duas últimas décadas e o momento atual. O passado acaba sendo apenas um degrau para a única coisa que lhe importa: o presente. Mas vamos definir o que é o presente. O presente é este minuto. Se você contar para ela que alguém muito querido acabou de falecer, ela ficará triste e emocionada. Provavelmente deitará borôcôchô, virada para parede. Meia hora depois levantará, com um pouquinho de ressaca moral pelas lágrimas, sem entender direito a razão daquele desconforto. Estará prontinha para rir da primeira piada que fizermos. E o mesmo acontece com os momentos felizes. Por isso, cada vez mais, minha família faz questão de comemorar todas as datas importantes. Aniversário, natal, dia das mães, dia da avó, enfim, qualquer coisa. Todo mundo tem consciência da sorte de a termos conosco, juntando de vez em quando a família espalhada por aí. É impressionante como ela curte cada coisa que inventamos: de grupo de seresta a teclados assassinados por supostos músicos, poesias declamadas por supostos escritores, piadas contadas por supostos humoristas, tudo começando com um pai-nosso e terminando com um exagero gastronômico qualquer. A vovó está inteira em cada instante. Emociona-se com os poemas, aplaude os músicos, pede bis, manda a galera calar a boca quando exageram no berreiro, lambe os beiços com as melhores receitas, morre de rir das brincadeiras e goza a cara de quem se mete a engraçadinho com ela, desmontando espirituosamente qualquer resposta pronta. Uma das melhores foi quando descobriu o que era um celular. Encantada com a possibilidade de conversar com pessoas que estavam no meio do supermercado ou de um show imediatamente perguntou o preço do aparelhinho. O argumento: é lógico que uma pessoa como eu precisa de um desses... rs Suas vontades e seus sentimentos estão em cada momento. E valem cada momento. Este é um exemplo interessante: buscar experimentar no instante o que é possível, em toda sua intensidade. Enquanto escrevia este post, na sala da sua casa, ela entrou. Eu lhe dei um cheiro, apertei seu corpo já um pouco franzino num abraço apertado e falei num tom elétrico: O seu problema é um só D. Cristina: BÊ-LÊ-ZA! Ao que ela respondeu, tranqüila: - Beleza é coisa de Bem Viver, minha filha. Isto você ainda vai aprender... Não seria por falta de ensinamento. Por Raquel # Sexta-feira, Julho 23, 2004 ( 2:59 PM ) Espero
Nunca saber-te existir, mas vibrar tua maneira. Realizar o desconhecido, para além de casulos e temores, que projetam apenas morte em abismos. Sutileza ao fecundar confiança, criatividade em geração de sabedoria, universo oculto que aguarda. O tempo. Esperar tua síntese. Ciclo de vida em perfeita ressurreição. Caminho que exige retorno destemido, nudez de aparências, renovação dolorosa. Economia de forças para o momento incerto de experiência de luz. Infinito prazer de nos ver revelados. Expectativa. Em amor. Equilíbrio de temperança em conquista. Força e intuição que preenchem. Quebra de armaduras a preparar o resgate e a expressão do eu identificado. Conexão de almas, em expansão para atuação plena, que demandam consciência de dons e do sentido. Aliança perfeita em crescimento. Espero. Por Raquel # Quinta-feira, Julho 22, 2004 ( 9:43 PM ) FIM
Colocar ponto final é tarefa difícil. Existem tantas formas de levar a cabo a empreitada quanto incontáveis são os momentos de sofrimento experimentados em todo o processo. Às vezes escolhemos aquele tipo de rompimento radical. Uma coisa fazia parte da sua vida até ontem, você nem se dava conta do quanto era ruim quando PUF! A ficha caiu. E segundos após o insigth, você simplesmente sumiu com tudo. Daí em diante, finge que nunca viveu nada daquilo, obriga todos os seus amigos a fazerem o mesmo e dá uma bronca em quem insiste em ignorar o seu pedido. Vamos falar a verdade: é difícil e corajoso fazer as coisas assim. É, principalmente, burro. Daí algum tempo, pode apostar, a coisa explode para um lado qualquer. Não vamos ser dramáticos e excluir uma doença somatizada como alternativa. Mas vai preparando o bolsinho para a terapia, amigo... Há também a possibilidade de você não estar tão alienado assim da realidade. No mínimo o inconsciente já estava percebendo que as coisas estavam descendo a ladeira de quinta sem freio. Você, meio que sem perceber, já se preparava para tirar aquilo da sua vida. Construiu algumas boas alternativas de sobrevivência. Quando deu conta de assumir para si mesmo a confusão na qual se meteu, jogou o peso do corpo nas bengalinhas à mão e começou o processo de mudar o rumo. Sabe que é um passo de cada vez, recua de vez em quando para ter certeza de que é isso mesmo que quer, aceita uns tombos no meio caminho e, se cansa, assenta no meio fio para dar uma respirada. Vamos falar a verdade: este é um jeito ponderado e suportável de fazer as coisas. É, principalmente, trabalhoso. Tão demorado que você corre o risco de desistir no meio da história, se a perseverança lhe abandonar. Não vamos ser dramáticos e excluir o cansaço como risco principal. Mas vai preparando os amigos para darem uma força nos momentos de vacilo... Não podemos ignorar a chance de você saber exatamente da babel interna e externa. Só que jogou os quilos de sujeira propositadamente para debaixo do tapete porque sabia não ser hora de mexer com aquilo. A tal hora certa não chegava nunca, mesmo porque até poderia parecer um horror aos olhos do mundo, mas você estava muito-bem-obrigado com o seu caos particular. Coisa boa é poder receber um olhar piedoso do mundo, compaixão eterna e aplausos por suportar passar por tanta dificuldade. Assim, a escolha foi levar adiante, sem sequer estressar. Vamos falar a verdade: este é um jeito imaturo de fazer as coisas. É, principalmente, covarde. Não vamos ser dramáticos e excluir o arrependimento à beira da morte, quando não há mais jeito de recuperar o tempo perdido. Mas vai se preparando para o momento em que perceber o desperdício do potencial de felicidade de boa parte da vida... Ando pensando um outro jeito de lidar com as coisas. Um tanto diferente, um tanto igual, um pouco misturado, bem pouco original. Se funcionar, talvez eu conte. Talvez não. Por Raquel # Quarta-feira, Julho 21, 2004 ( 10:04 PM ) GUARDA-CHUVA
Comprei-o quando, olhando as malas fechadas, percebi o esquecimento. Ouvi o barulho da chuva e preferi não ensopar as roupas e o rosto. Com a nova sacola na mão e ainda na espera, vi o céu se abrir. Sorri, guardei-a na mala e andei pela cidade. Não contava que, na secura de um sol brilhante, ia encontrar tanta tristeza. Foi quando molhei o rosto. Encharquei a blusa. E o guarda-chuva de nada valeu. É que a tempestade foi incontrolável. Mais uma vez percebi: o que costumam chamar de lágrimas, ninguém segura. O jeito é dar essa negra proteção. Procurar a velha sombrinha. Ao menos ela sei para que serve. Conhecer os seus arames enferrujados é sempre um consolo. Além do mais, gosto da chuva de fora. Ela molha o rosto e encharca o corpo. Deixa-me gripada e feliz. Nunca doente. Por isso não guardo. Está decidido: fico com a sombrinha. Se alguém aí estiver precisando de um guarda-chuva novinho e sem uso... Por Raquel # Terça-feira, Julho 20, 2004 ( 5:04 PM ) Altas
Chorar por conta de trabalho é algo fora de propósito. Isto se não se trata da trilha zero do seu computador corrompida. É bem difícil quando, para consertar, são necessárias duas semanas sem PC. Isto se, logo depois do primeiro fato, o novo sistema não ferra com o arquivo em que você está trabalhando há um mês, de 08 da manhã às 11 da noite. É bem difícil quando, ao recuperá-lo, você perdeu toda a formatação, o que leva mais dois dias de trabalho para refazer. Isto se, menos de uma semana depois, outra pessoa, sabe-se lá como, ferra com todo o sistema, deixando uma bela tela azul na sua frente que impede o acesso a qualquer dos documentos que você levou 10 anos para arquivar. Agora, se o seu assessor de assuntos informáticos estiver viajando de férias e você não tiver um sistema de backup... Bem. Esta é a hora de você começar a berrar. Por Raquel # Segunda-feira, Julho 19, 2004 ( 12:04 PM ) SUBSIDIARIEDADE
Para compreender este conceito, é preciso uma visão menos parcial e contaminada até mesmo do seu histórico. Trata-se de uma noção divulgada, em um primeiro momento, no tocante às relações internas da Igreja, tendo sido inserida na encíclica Quadragesimo Anno, de Pio XI (1931). Segundo esta idéia, a instância mais próxima da pessoa tem o dever de ajudá-la; a instância imediatamente superior somente deve intervir supletivamente, em caso de carência. Aplicando-se tal premissa ao Estado, concluiu-se que este somente deveria atuar se a sociedade não conseguisse satisfazer as próprias necessidades. A finalidade do Estado seria, assim, suprir carências. E talvez esta seja a maior dificuldade na compreensão do conceito: entender a idéia de suplência que lhe serve de amparo. Isto porque, se sempre que temos carência a intervenção se mostra necessária, só é possível deixar de agir se restar evidente a desnecessidade desta atuação. Fica mais fácil entender quando aplicamos a idéia ao processo de criar um filho. Quando ele nasce, o seu grau de desenvolvimento é próximo de zero. A dependência é integral para a simples sobrevivência. Obviamente, a intervenção deve ocorrer no grau máximo neste período. De papinhas, a banhos e fraldas, tudo depende dos pais. À medida que a criança vai crescendo, poderá assumir algumas atividades e o controle eficiente de algumas questões como a alimentação, a higiene, etc. Enquanto não estiver presente a maturidade mínima, é ingenuidade pretender que assuma a responsabilidade por seu próprio bem-estar. É indispensável a atuação coesa e protetiva dos pais, forjando o contexto de independência que, no futuro, permitirá que o filho assuma a sua vida. Enquanto esta capacidade não existir, é necessário o amparo dos pais. Às vezes, tenho a impressão que algumas pessoas pretendem que o Estado brasileiro seja, para sempre, uma super-mãe. Defendem uma política paternalista, que terminaria por impedir o desenvolvimento efetivo da sociedade. Como se fosse possível, no mundo de hoje, tratar cidadãos como bebês eternamente... Em outras circunstâncias, apavora-me perceber que alguns grupos pretendem tratar uma sociedade despreparada como a brasileira como um adulto maduro, transferindo-lhe responsabilidades para cujo exercício não está pronta. Como se fosse possível colocar uma Ferrari nas mãos de um adolescente inabilitado e não causar um acidente... O fato é que, enquanto não existir no Brasil, um investimento real, capaz de deixar nossa sociedade minimamente revigorada e forte, é impossível que o Estado se retire do cenário. É surto imaginar que alguém que passa fome, que não tem o que vestir e que nada em esgoto pode engajar-se na execução de políticas públicas. Antes de tudo, precisamos ter uma sociedade civil provida quanto ao básico. Assim, adquirido um nível mínimo de autonomia, ela poderá tornar-se ativa. Antes disso não. Uma criança desnutrida jamais será capaz de trabalhar e cuidar de si própria. É a subsidiariedade que nos conta que, se a comunidade é composta por indivíduos passivos que sequer têm acesso aos níveis básicos de educação, cabe ao Estado, antes de mais nada, promover melhorias sociais. O mais difícil é que, tal como na criação de um filho, o equilíbrio que a subsidiariedade exige implica persistência, estabilidade e paciência, uma vez que não há possibilidade de se obter resultados favoráveis a curto prazo. E vivemos numa época de gente apressada, impaciente com o tempo exigido por cada processo. De qualquer modo, vou lhes contar um segredo: a via da subsidiaridade, qualquer que seja o seu espaço de atuação, exige investimento contínuo e coeso no capital humano para, só então, poder contar com ele. Quem gosta de uma fofoca, já pode espalhar... Por Raquel # Domingo, Julho 18, 2004 ( 3:23 PM ) Dá para acreditar?
Depois de quase duas décadas casada e um recente par de chifres na testa, separou-se. Foi a uma festa de casamento. Não era uma mulher bonita, mas naquele dia estava linda. Chegou sozinha antes da turma que assistiu a cerimônia na igreja. Encontrou um grupo de amigos, também adiantados. Ficaram conversando numa mesa qualquer. A festa encheu de uma hora para outra. Uns quinze colegas chegaram juntos, respectivamente acompanhados. Dentre as esposas, duas, que até então lhe eram simpatissíssimas, ignoraram-na solenemente. Cumprimentaram todos os presentes, menos ela. A única mudança havia sido o seu estado civil. Segurou as lágrimas e dançou até de madrugada. No final, quando entrou no carro, chorou de soluçar. Peguei-a no colo e, calada, não pude deixar de pensar: Merda de preconceito. Por Raquel # Sexta-feira, Julho 16, 2004 ( 2:12 PM ) Lá no Elas por Elas nossas madrinhas acabaram de publicar o quarto capítulo da novela Torres Gêmeas, escrita a doze mãos, na coluna Samba Canção (para ler os capítulos anteriores da novela clique aqui). Para quem não sabe, a coluna Samba Canção, semanal no EPE, é escrita por seis mulheres que, tentando entender o universo masculino, escrevem como homens ou sobre histórias de homens ou como gostariam que os homens fossem ou como imaginam que eles poderiam ser... Aqui no Linda & Loura, a tentativa é de entender o feminino. Era para ser mais fácil, já que somos mulheres... Em todo caso, vai aí uma ajuda externa: Diálogo:
Segundo ato No dia 11 de julho, na coluna Coração de Mãe, do Jornal Estado de Minas, encontrei a resposta da Marisa Sanabria ao pedido da Déa Januzzi (vide post abaixo): Não há como ensinar a ser mulher, pois trata-se de um gesto, de uma atitude frente à vida. O feminino não se ensina, se exerce e, sobretudo, se compartilha. O feminino diz respeito ao acolher, ao preservar e ao perambular. Ele não tem lugar marcado, não é capturado pela cultura ou pela civilização, não reclama o protagonismo nem instaura a lei, não é sua a palavra que determina o que está certo ou errado, o que deve ser perdoado ou condenado, enfim, ele não está no palco, pelo contrário: é a trama, o tecido que sustenta a realidade da existência. (...) O mundo da eficiência econômica e matemática nos fez crer que era possível que cada um de nós se salvasse sozinho, apagando os gestos de solidariedade e compaixão. Uma das grandes diferenças da heroína mulher em relação ao herói masculino é que o guerreiro é individualista, ele funciona em linha reta e procura sua salvação. O movimento da heroína é circular, e ela se salva com a prole, a aldeia, o grupo, a comunidade. Resgatar o gesto feminino não diz respeito somente às mulheres. É uma tarefa imprescindível para todos, no sentido de tornar nossa convivência mais suportável e menos predatória. (...) Onde está o feminino nessas mulheres que sofrem? Ele ficou escondido, mutilado, abandonado. Exercer a feminilidade não têm nada a ver com submissão, perda da auto-estima, do respeito da dignidade. O feminino não se compra, não é um produto, não se cursa como um doutorado, não tem oscilações como o dólar, não se resolve como um projeto de lei, não se decide com uma reunião masculina no parlamento nem pode ser controlado pelas tropas da ONU. Viver o feminino diz respeito a perder o medo do abandono, da solidão e do fracasso. É ficar distante dos modelos estabelecidos que nós mulheres não escolhemos. É deixar de ser implacável e exigente com a gente mesmo. Soltar a armadura e sair da trincheira, para poder ser, para poder exercer, para poder escolher nosso destino, qualquer que ele seja. A difícil tarefa de ser mulher é um enigma. Não há respostas nem receitas e, como todos os enigmas, marca nossa existência, traça nosso destino, determina nossas alegrias e frustrações. Somos todas sacerdotisas, decifrando o oráculo da nossa história e o grande desafio é fazer dessa criação cotidiana uma tarefa compartilhada. Por Raquel # ( 2:57 AM ) Diálogo:
Primeiro ato No dia 4 de julho, na coluna Coração de Mãe, do Jornal Estado de Minas, encontrei este pedido da Déa Januzzi: Ensina-me, Marisa Sanabria, esta difícil tarefa de ser mulher. Quem devo seguir para cumprir o meu destino? Sigo o exemplo de Nefertiti, de Morgana, de Perséfone ou de Medusa que, com um simples olhar, transforma os homens em pedra? Diga-me, Marisa, a quem devo imitar? O modelo da virgem Maria ou da deusa Atena, que, por ciúme, exagerou no encantamento, dando à Medusa serpentes no lugar de cabelos? Ou serei Medéia, para cuidar do meu Jasão, com muita submissão? Ensina-me Marisa, a retirar da mitologia o nobre, mas, obscuro papel das mulheres. A descobrir um modelo digno, livre do medo, insegurança, sem tanta culpa, sem tanta humilhação, dor e tormento. Ensina-me a decifrar o coração das mães que acordam às três da manhã farejando o perigo enquanto os filhos não chegam? Ensina-me sobre o poder das feiticeiras, cubra-me com a força de Joana DArc, com o manto sagrado das mães que viram e reviram no travesseiro, mas continuam sobrevivendo à morte dos filhos (...) Ensina-me, Marisa, onde está o feminino no meio da aridez do mundo? Conta-me sobre essa trama de ser mulher, de fazer e desfazer, de recortar, colar, para formar um painel de movimentos, formas, sentimentos. Como um caleidoscópio de formas que criam formas, de claros e escuros, numa dança sagrada. Diga-me dessa essência de lua e noite, de dias gelados, mas tam´bm de girassóis. Como deixar-me cortar toda e voltar sempre incendiando no poema A Primavera, de Cecília Meirelles. (...) Mostra-me, Ghislaine Penna, como ser múltipla e inteira. Como sobreviver aos terremotos da vida? Como ser mulher, mãe sozinha, profissional. Como ganhar dinheiro e dar afeto? Como vencer a tempestade? Como bordar, cozinhar, tecer e vencer usando as armas da intuição, da sensibilidade, da generosidade e do amor. Ensina-me Adélia Prado, a ser desdobrável, a fazer peixes que os maridos pescam, a morar numa casa que está sempre amanhecendo, a curtir poemas e procissões. (...) Diga-me, Rosina, como exorcizar os meus demônios e como não cometer tantos pecados. Update: Não foi possível colocar link para o texto, porque o acesso ao Jornal é exclusivo para quem usa Uai como provedor. Por Raquel # Quinta-feira, Julho 15, 2004 ( 10:55 PM ) (In)sanidade
Sabe quando você está trabalhando muito-muito-muito, inclusive nos fins de semana? Tanto-tanto-tanto que não agüenta mais ver o seuviço na frente? Pois é. Nessas condições, pareça louca-louca-louca. Tipo: Pare de chegar às 08 da madruga e sair às 11 da noite. Simplesmente não dê as caras no escritório. Passe a manhã no salão. Depois do almoço, troque de roupa, coloque um pijaminha, deite no quarto escuro e ribuçe*. Durma como um anjo. Abra os olhinhos e acredite: a vida é boa. Maravilhosa até. *Glossário - Ribuçar: deitado, cobrir o corpo com uma colcha, edredom ou cobertor qualquer. Por Raquel # ( 12:03 AM ) Tarde demais
Esta história de não deixar para fazer amanhã o que dá pra fazer hoje parece praga de mãe. Basta ignorar a regra para pagar caro lá na frente. Em alguns casos, a culpa é sentimento certeiro. Não tem muito tempo que moro no meu apartamento. Logo no início, descobri que a sorte com vizinhos tinha me acompanhado. Na porta de frente, encontrei uma família 100%: gente simpática, alegre e discreta. De cara, gostei da mãe que me apresentou as duas filhas gêmeas, já com 17 anos. Na qualidade de madrinha de gêmeas pequititas, adorei conhecer as adolescentes. Quando nos encontrávamos, trocávamos sorridentes cumprimentos. Eis que, quando volto das férias de janeiro, fico sabendo de algo inacreditável. Na cidade natal da família, uma das meninas foi atropelada. É assustador ouvir que uma jovem, recém-aprovada no vestibular e com a vida inteira pela frente, morreu de uma forma tão gratuita. Não conseguia imaginar como aqueles pais estariam suportando a dor. No dia em que eles chegaram, estava atolada de trabalho. Fiz um sorvetão e, antes do almoço, bati na porta só para dar o meu apoio. Eu nem consegui entrar. Não sabia o que dizer e só saíram algumas frases rápidas, muito atropeladas. Prometi voltar depois. Por milhares de razões, inclusive a covardia, não consegui. Quando tomei coragem para uma visita decente, bati a campainha. Ninguém respondeu. Eu insisti. Nada. Interfonei para o porteiro que disse: - Iiiihh, Raquel. Eles voltaram para a terra deles. Mudaram na semana passada enquanto você estava fora... Desde então, fiquei pensando que mundo é este e que escolhas são estas que por vezes fazemos. Meus vizinhos perderam uma filha e nem mesmo conversei com eles. A sensação de que agora não dá mais tempo é frustrante. Droga, viu. Por Raquel # Quarta-feira, Julho 14, 2004 ( 10:45 AM ) ADVENTO
Acorda como quem do dia recebe as coisas que a vida traz. Não se surpreende ao encontrar a delicadeza, a atenção e o respeito. Como um padrão em que jamais acreditaria, o merecimento. Penetra-se o masculino. Tanto para sorrir e para seguir que escolhe ficar. Sem equívoco, nem interpretação. Abandona a complexidade para propor um novo início. Não é preciso chave, pois estava entreaberta. Sempre esteve, embora não soubesse. Um dia esquece a palavra e acaba com a intimidade. Escreve como quem liberta. Da camuflagem. Do ambíguo. Simbologia de quem aprendeu a transitar e converge na própria direção. Uma loucura tão lúcida que parece infância. Pelo menos escorre como se fosse. Vem o humor daqueles dias, a inconseqüência seguinte e a serenidade da madureza. Ser tudo é tão bom que agora acredita em mágica. Aquela que não antecipa, nem atrasa, porque é no tempo. A verdade compassada que extrema cada instante. Nesse mundo, há sonhos ao alcance da mão. Estica os dedos e pede a Deus: existe. Não leve embora. É questão de justiça viver os limites. E porque não tem medo da verdade toca, suave, o eterno. Tem gente com vocação para recomeço. Destino: travessia. Por Raquel # ( 8:35 AM ) Pecado: Gula
Hoje acordei com desejo de comer filé com batatas. Quem estiver com a mesma vontade e precisando de uma boa receita, ainda dá tempo de passar no açougue! Ingredientes: 600 gramas de filé Sal a gosto 6 batatas médias cozidas e cortadas em cubos 4 cebolas médias picadas 4 tomates sem pele e sem sementes picados 4 colheres de sopa de óleo 1 colher de manteiga 4 colheres de sopa de molho inglês 4 colheres de sopa de mostarda 1 colher de sopa de amido de milho 1 copo de leite Parmesão ralado (não use o de saquinho pelamordeDeus!) 4 colheres de sopa de vinho branco seco Água, se for preciso. Modo de fazer: Cortar o filé em tiras. Temperar com sal e duas colheres de vinho branco seco. Deixar marinando 10 minutos. Colocar o óleo na frigideira. Acrescentar a manteiga. Refogar as cebolas e os tomates. Acrescentar a mostarda, o molho inglês e duas colheres de vinho branco seco. Aguardar alguns minutos. Diluir o amido de milho no leite e acrescentar, misturando bem. Colocar água se necessário para o creme não ficar muito espesso. Acrescentar, por fim, as batatas em cubos. Fritar o filé numa frigideira em separado. Quando estiver pronto, bem douradinho, colocá-lo em um pirex e cobrir com o molho quente. Polvilhar queijo parmesão ralado e levar ao forno. Servir com arroz branco e salada verde. Passe no Linda & Loura e me agradeça depois... rs Por Raquel # Terça-feira, Julho 13, 2004 ( 11:10 PM ) Caetano
Há mais de uma década, eu poderia não ter perdoado seu mau humor no primeiro show que assisti na capitar mineira, no falecido Olympia. Há mais de um ano, eu poderia não ter perdoado o beicinho dele tremendo ao cantar Cururú Paloma, em Fale com Ela. Há mais de uma semana, eu poderia não ter perdoado ele encerrar um show maravilhoso dando pulinhos estranhos enquanto cantava Mamãe eu Quero. Mas eu perdôo. Determinados direitos decorrem, senão da genialidade, da competência manifesta. Tá. Tem também esta minha vocação musical para mulher de malandro... Por Raquel # ( 12:55 PM ) O Final
Uma manhã, sem saber por que, iluminada só pelos fantasmas de seu coração, aproximou-se da menina e começou a contar-lhe as histórias de suas antepassadas. Quem foram, que mulheres teceram suas vidas com que homens antes que a boca e o umbigo de sua filha se unissem a ela. De que eram feitas, quantas atribulações tinham passado, que dores e prazeres trazia de herança. Quem semeara com intrepidez e fantasias a vida que lhe cabia prolongar. (MASTRETTA, Ángeles, Mulheres de Olhos Grandes. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 196). Olha, D. Ángeles. Quando eu li isso aí fiquei muda. Porque me lembrei do que escrevi quando li A Tenda Vermelha. Vai de novo, só para relembrar: Vi, novamente, a penumbra da sala de visita. Deitada no sofá de tecido áspero, senti os dedos da mão enrugada deslizando pelos cachos despenteados. A voz, longe, dizendo da vida enquanto falava sobre os dias passados e presentes. Percebia, definindo-se, o futuro. Outro, completamente diverso, mas essencialmente idêntico. Vi, ainda, o calor da lenha estalando no fogão. Ajoelhada numa cadeira, senti os dedos longos ensinando a água deslizar pelas folhas. As palavras, claras, dizendo do amor enquanto falava sobre os planos de ontem e os de hoje. Distinguia, aos poucos, os contornos do cuidado. Pelo outro, por si e pela felicidade. Aquela que já nos era presente. Vi, por fim, o aconchego da varanda. As três assentadas, correndo agulhas pelo tecido. As linhas, separadas, formando um desenho único. As advertências sobre os erros, o reconhecimento silencioso pelo progresso, a alegria pelo processo. Sinto, ainda hoje, todo o amor. Aquele que, tantas vezes, foi o único chão. Não importa o que aconteça. Ao final, sabe-se a mulher que é. A mesma, completamente transformada. Por Raquel Agora o Final de Verdade
Depois disso tudo que diabos vocês estão fazendo parados aí na frente do computador que não foram comprar o livro? Tenham dó! Por Raquel # Segunda-feira, Julho 12, 2004 ( 11:42 PM ) ZANGADO
(todo mundo tem seu dia de anãozinho da Branca de Neve) Às vezes, apesar da tinta ruiva, sou uma loura chata, bronca, arrogante e inflexível. Exatamente como hoje. É que ando sem um pingo de paciência com um tipo de gente que TODAS AS VEZES em que você pergunta - Como vai? - responde com uma avalanche de mazelas como resposta. Caramba! A vida não é mole pra ninguém, meu amigo. Pra uns é mais difícil, pra outros menos. Mas pianinho-pianinho quase ninguém vive não senhor. Então, vê se segue em frente e pára de choramingar. Algum dia tem de chegar a hora de responder: Tá-tu-do-bem. Mesmo que não esteja! Só pra atrair bons fluidos e deixar a nuvenzinha do Uruca pra trás... Estou muito bem acompanhada por Goethe, em Werther, obrigada: Não... Que é o homem, para ousar lamentar-se a respeito de si mesmo? Meu amigo, prometo emendar-me. Não mais, como foi sempre meu costume, repisarei os aborrecimentos miúdos que a sorte nos reserva. Quero fruir o presente e considerar o passado como o passado. Você tem razão: os homens sofreriam menos se não se aplicassem tanto (e Deus sabe por que eles são assim!) a invocar os males idos e vividos, em vez de esforçar-se por tornar suportável um presente medíocre. Sei que o discurso pode até parecer com os das tais Helenas do Manoel Carlos, devidamente odiadas por minha sócia. Mas ninguém me tira da cabeça que felicidade também é escolha. Se você quiser, vai ter sempre motivo para cortar os pulsos. Mas, se se esforçar um pouquinho, vai arrumar alguma razão para rir também. Nem que seja da própria desgraça. Então acaba com essa auto-piedade, sai da personagem de pobre vítima e VÁ À LUTA! Tá na cara que cada um tem um basal de felicidade. Um platô em que se vive, ressalvados picos isolados de tristeza (como a morte de alguém querido) ou felicidade (como um novo amor). Se o seu basal anda meio baixo, há muito tempo, é hora de tomar providência. Gira a chave, troca o cd, vira a página, procure ajuda! Mas sai dessa criatura! Vai ser melhor. Pra todo mundo. Pode acreditar. Por Raquel # ( 2:07 PM ) Olhando Grandes Mulheres
Ninguém entende como não estava cansada de viver, trabalhara como um mouro quase que a vida inteira. Mas as gerações de antigamente possuíam alguma coisa que as fazia mais resistentes. Como tudo de antigamente, os carros, os relógios, as lâmpadas, as cadeiras, os pratos e as frigideiras de antigamente. (MASTRETTA, Ángeles, Mulheres de Olhos Grandes. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 191). Para a resistência das velhas frigideiras e dos pratos antigos eu não tô ligando não. Mas a galera que está batendo um bolão beirando os 100 é inspiradora. Vamos lá, Dona Cristina. Vai na frente que nóis seguimos atrás! Por Raquel # Domingo, Julho 11, 2004 ( 10:10 PM ) De novo! De novo!
Andei relendo alguns livros este findi. Não é que passei os olhos, mais uma vez, em Mulheres de Olhos Grandes? Adorei o reencontro: Tia Marcela tinha nos olhos a luz dos que procuram o melhor lado da vida, a dos que, para sua desgraça, não desfrutam da felicidade que só é dada aos tolos, mas que estão dispostos até mesmo a parecê-lo para pegar alguma graça distraída. (...) Tia Jacinta herdou da mãe uma melancolia extenuante. Às vezes, fitava o infinito como se tivesse perdido alguma coisa, como se o próprio infinito não bastasse para seu anseio absoluto (MASTRETTA, Ángeles, Mulheres de Olhos Grandes. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 152). É. Teve um moço que disse há um tempo atrás que toda mulher é um pouco Leila Diniz. Agora comecei a achar que toda mulher é, no fundo-no-fundo, Tia Marcela e Tia Jacinta. Ao mesmo tempo. Por Raquel # ( 10:34 AM ) Tem coisas na vida que têm preço
Para todas as outras existe terapia... Na época em que era uma reles estagiária, me cabia o reles salário mínimo ao final do mês. O dinheiro era para o básico, ó-bi-viu. Mas eis que Tom Jobim vinha à BH. Eis que eu tinha acabado de receber meu salal. Eis que, sem pestanejar, passo um mês na pindaíba e gasto o dinheiro de 30 dias em 2 horas de gozo absoluto. Ele morreu poucos meses depois. Foi o último show do Tom em Minas. E eu não gastei um tostão com terapia... Ah como eu adoro economizar! Por Raquel # |